
O quilombo de São Sebastião dos Pretos, localizado em Bacabal, no Maranhão, atravessa um dos períodos mais dolorosos de sua história recente. Nesta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, completam-se 16 dias desde o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael. Desde então, o tempo parece ter desacelerado. As rotinas foram interrompidas, o silêncio ganhou um peso difícil de explicar e a esperança passou a ser compartilhada coletivamente entre moradores, familiares e equipes de resgate.
Para quem acompanha de perto, fica claro que a busca vai além de uma operação técnica. É uma mobilização movida por emoção, fé e resistência. Cada amanhecer traz a expectativa de uma resposta; cada entardecer, o cansaço de mais um dia sem notícias concretas.
Desabafo da mãe comove redes sociais
No último domingo, Clarice Cardoso, mãe de Ágatha e Allan, usou as redes sociais para expressar a dor que carrega desde o desaparecimento dos filhos. Em uma mensagem curta, mas profundamente impactante, ela falou sobre o esgotamento emocional, o medo constante e a fé que insiste em permanecer viva.
Clarice afirmou acreditar que as crianças estão vivas, cuidadas por alguém e aguardando o momento certo para serem encontradas. Esse pensamento, segundo ela, é o que a mantém de pé em meio à incerteza. A publicação rapidamente se espalhou, gerando uma onda de solidariedade, mensagens de apoio e orações vindas de diferentes partes do país.
Força-tarefa reúne centenas de profissionais
Enquanto a família luta para manter a esperança, uma grande força-tarefa segue atuando na região. A operação envolve centenas de pessoas, entre militares da Marinha do Brasil e do Exército, integrantes do Corpo de Bombeiros, policiais civis e militares, agentes do ICMBio e voluntários locais que conhecem profundamente as trilhas, rios e áreas de mata.
Todos os dias, as equipes enfrentam calor intenso, vegetação fechada e terrenos de difícil acesso. Mesmo diante da ausência de respostas imediatas, ninguém recua. O compromisso é claro: continuar procurando enquanto houver qualquer possibilidade de encontrar as crianças com vida.
Estratégia de buscas foi ampliada
Nos primeiros dias, as buscas se concentraram em áreas terrestres próximas ao ponto onde Ágatha e Allan foram vistos pela última vez. Com o passar do tempo e a ausência de novos vestígios, as autoridades decidiram ampliar o raio de atuação.
O governo do Maranhão autorizou a inclusão de buscas fluviais e aéreas, utilizando embarcações, helicópteros e drones. A meta é cobrir o maior território possível, reduzindo ao máximo qualquer área não verificada. Técnicos trabalham com mapas detalhados, cruzando informações fornecidas por moradores, imagens aéreas e dados coletados em campo.
Indício na mata reacende linhas de investigação
Um ponto considerado relevante surgiu na última quinta-feira, dia 15 de janeiro. Com o auxílio de cães farejadores, as equipes identificaram sinais de que as crianças teriam passado ao menos uma noite em uma cabana improvisada no interior da mata.
O achado ajudou a reorganizar as linhas de investigação. A partir dele, especialistas tentam reconstruir, passo a passo, o possível trajeto percorrido por Ágatha e Allan desde o dia 4 de janeiro, quando desapareceram. Cada detalhe é analisado com cuidado, na tentativa de entender se as crianças se deslocaram sozinhas ou se receberam algum tipo de ajuda.
Primo encontrado segue em acompanhamento especializado
Paralelamente às buscas, segue o acompanhamento de Anderson Kauan, primo dos irmãos, de apenas 8 anos. Ele foi localizado no dia 7 de janeiro, visivelmente debilitado, após dias desaparecido na mesma região. Desde então, recebe cuidados médicos e apoio psicológico.
O governador Carlos Brandão informou oficialmente que exames descartaram qualquer indício de violência sexual, o que trouxe um alívio momentâneo à família. Atualmente, Anderson participa de uma escuta especializada conduzida por profissionais do Instituto de Perícia da Criança e do Adolescente.
O processo é feito com extremo cuidado, sem pressões, respeitando o tempo emocional da criança. A expectativa é que, gradualmente, ele consiga relatar detalhes importantes sobre o momento em que se separou dos primos e a direção que eles seguiram.
União da comunidade fortalece a esperança
Mesmo diante da dor, a comunidade quilombola segue unida. Moradores organizam correntes de oração, oferecem apoio à família e mantêm vigilância constante nas áreas próximas. O caso mobiliza não apenas Bacabal, mas todo o Maranhão, ganhando repercussão nacional.
A história de Ágatha e Allan lembra que, por trás das manchetes, existem vidas interrompidas, famílias em sofrimento e uma espera que ninguém deveria enfrentar. As buscas continuam, e com elas, a esperança de um desfecho que traga respostas e, acima de tudo, o reencontro tão aguardado.